"Nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas". Cora Coralina

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Interrogatório na Delegacia


Na delegacia, o delegado inicia o interrogatório:
 __Dona Lúcia, a senhora sabe que está muito encrencada, temos conhecimento que o seu casamento não estava muito bom, que vocês brigavam muito, que a senhora é muito ciumenta e que seu marido tinha entrado com o pedido de separação. 
__Eu realmente passava por momentos difíceis no meu casamento doutor, mas isso é um absurdo o senhor está sugerindo que eu matei meu marido?
 __E a senhora não teria motivos para isso, Dona Lúcia já que tinha descoberto que ele estava te traindo com a sua prima, a Bruna? Há pessoas que declararam que a senhora estava descontrolada, dizendo que tinha vontade de matá-lo.
 __É verdade, eu fiquei muito nervosa, eu investi tudo nesse casamento, dediquei minha vida, minha juventude, eu acreditava que seria para sempre e nunca podia imaginar que ele me traia com a Bruna, uma prima que eu considerava como uma irmã mas o que disse com relação a matá-lo foi dito na hora da raiva, da dor, da angústia mas jamais faria uma coisa dessas com o pai dos meus filhos.
 __Dona Lúcia sabemos que a senhora ficaria numa situação muito confortável com a sua morte de seu marido  pois além de vingar-se  a senhora ainda receberia o seguro dele. Não é verdade?
__Doutor, por favor, acredite em mim, eu já disse que não fui eu, ele estava caído, já morto na porta de casa.
__Tudo bem, Dona Lúcia, então por favor, comece a contar tudo de novo, mas com riquezas de detalhes, eu quero saber exatamente o que aconteceu naquele dia desde a hora que a senhora acordou.
__Está bem doutor, eu me despertei às 6:00 como faço todos os dias, levantei-me, fui ao banheiro, escovei os dentes, lavei o rosto e ia entrar no chuveiro quando escutei a campainha.
__Exatamente que a que hora?
__Não sei ao certo, creio que era aproximadamente 6:10.
__Continua.
__ Quando abri a porta vi meu marido caído na soleira. Olhei em volta mas não vi ninguém . Abaixei-me e percebi que ele estava morto, foi então que me desesperei, gritei e chamei a polícia.
__Está bem , dona Lúcia, a senhora desconfia de alguém?
__Eu não sei, estou muito confusa mas quando o Ricardo , o marido da Bruna, soube que ela e meu marido estavam tendo um caso ele prometeu vingança.
__Muito bem, dona Lúcia, vamos investigar, por enquanto a senhora ficará a disposição da justiça.
Algum tempo depois...
__Dona Lúcia, realmente foi o Ricardo que matou seu marido. E além disso ele também matou a Bruna.
__Meu Deus, que horror.
__Bem, a senhora está livre.
__Graças à Deus, não seria justo que meu marido até na sua morte me fizesse sofrer. 

Autoria e Colaboração: Letícia de Paula Oliveira Eduardo

O Interrogatório – Catarina


 Um som incômodo faz com que ela desperte. Abre os olhos e, ainda muito sonolenta, tenta entender que som a despertou. Consulta o relógio de cabeceira: são 5h50. O som parece vir de fora do quarto de seu pequeno apartamento. Levanta-se, ainda se debatendo em perguntas sem resposta. Não se lembra do que aconteceu na noite anterior, depois que se sentou ao lado daquele moço na festa de seus amigos Karen e Carlos.
Vai ao banheiro, escova os dentes, lava o rosto, tentando desanuviar sua mente. Sente uma pontada de dor na cabeça. Ouve novamente a campainha da porta e, só então, reconhece o som que a despertou. Chacoalha a cabeça na tentativa de pôr em ordem suas lembranças da noite anterior. Nada. Enxuga-se, sai do banheiro e caminha até a porta. Destranca a fechadura e abre a porta. Nada de se lembrar nem sequer de como chegou a casa, ou até sua cama... Vê um homem caído na soleira. Corre o olhar em torno e constata que não há ninguém mais no corredor. Está completamente só... as sensações de uma noite mal dormida vindo a tona. Abaixa-se. Toca o homem com os dedos. Sente que o corpo está frio e rígido; desperta completamente da letargia e sensação de irrealidade que a cerca. Então, percebe que é um cadáver.
Agora, com a mente alerta, olha com atenção para o rosto do homem caído a sua porta, o sangue que escorre de sua nuca e constata que o conhece! Mas de onde? As imagens começam a se formar a sua frente como um filme que agora é de terror. Lembra-se de que esse é o mesmo homem com quem dividiu a mesa na festa. Corre para o telefone, disca para Karen na tentativa de identificar o moço e, só então, se lembra de que ainda não são nem seis horas. Desiste de acordar a amiga.
Disca o número da central de polícia e imediatamente percebe que não tem nenhum álibi, pois se nem ela mesma se lembra do que aconteceu!
- Central de Polícia, bom dia! Em que posso ajudar?
- Aqui é Catarina. Acabo de encontrar um homem morto em minha porta. A campainha tocou e, quando abri a porta, me deparei com um cadáver.
- A senhora conhece o morto? Tem alguém aí com a senhora?
- Não, não para as duas perguntas.
- Como não conhece? Qual seu endereço? É seu marido? Namorado?
- Meu endereço é Alameda das Orquídeas, 200, apartamento trinta e seis. Não é meu parente, não o conheço!
- A polícia já está chegando aí. Não se evada do local dos fatos!
Sirene. Policiais chegando. Barulho de passos na escada. Adentra o Delegado Mendonça:
- Mão na cabeça! Não se mexa!
Medo. Delegacia. Mais interrogatório.
- Tem certeza de que não se lembra de nada sobre a noite passada? Saiu com ele da festa? Ele dormiu na sua casa? Mora com mais alguém? É usuária de drogas ou bebe demais? Bla, bla, bla?
A cabeça rodando. Um som vindo de longe se aproxima cada vez mais de sua consciência. Escuta o delegado Mendonça falando com um policial que acaba de entrar: foi um acidente... acidente...cidenti....denti....ti...ti...ti...ti... Desperta. É o relógio que toca, despertando-a desse pesadelo.
Autoria e Colaboração: Precila Rodrigues

A Morte Bateu em Minha Casa


Abri os olhos e olhei o relógio de cabeceira para ver as horas. Eram 5:00 horas da manhã. Levantei-me e fui ao banheiro. De repente, ouço a campainha tocar. Saio às pressas e  destranco a fechadura da porta, ao abri-la, vejo um homem caído na soleira. Levo um grande susto e meio apavorado olho em torno, mas não há ninguém no corredor. Abaixo-me e com os dedos trêmulos toco no homem. Sinto que seu corpo está frio e rígido. Percebo que é um cadáver e corro angustiado para o telefone. Com grande dificuldade e com as mãos trêmulas tento discar o número da central de polícia.
- Delegacia de polícia, bom dia!
- Policial, venha até minha casa.               - O que aconteceu?
- Há um cadáver na soleira de casa.
- Quem está falando?
- Ticio Silva.       
- Seu endereço, senhor?
- Rua da Figueira, 113. Jardim das Nações.
- Senhor, seu telefone, por favor?
- 9851-3098
Neste momento, ouço o barulho da sirene do carro da polícia que se aproxima de minha casa, vejo o delegado descer com sua equipe do carro, ele é alto,gordo, aparenta ter uns trinta e cinco anos, bigodudo e com um grande olhar de superioridade ,junto com eles percebo que há muitos repórteres, tirando foto do falecido e uma grande multidão de curiosos que se aproximam. Minha casa está completamente cercada.
- Quem é o dono da casa?
- Sou eu, Sr.  Delegado .
- Qual o seu nome?
- Tício da Silva.
- O Sr. conhecia a vítima que foi assassinado?
- Não, senhor.
- Já o viu pelas ruas, em algum lugar na cidade?
- Não.
- O senhor tem alguns inimigos?
- Que eu saiba não.
- Quantas pessoas que moram na casa?
- Só eu senhor.
- Ouviu algum barulho, algum tiro ontem?
- Não, não ouvi nada.
- O Senhor não acha estranho, um cadáver ser jogado em sua porta?
- Não tenho nada a ver com isso, delegado, alguém deixou o corpo aí e se mandou, retruquei nervoso.
- Sr. Tício, o senhor autoriza vistoriar sua casa, preciso encontrar alguma pista?
- Autorizo, sou inocente, Sr.  Delegado,confie em mim.
O delegado ordenou aos policiais que adentrassem  a minha casa a procura de vestígios e outras provas que possam estar ligadas ao crime.
- Guardas, revistem toda a casa.
E o delegado continuava incansavelmente o interrogatório, queria  solucionar o caso e culpava-me pelo crime.
- O senhor não acha estranho um corpo ser encontrado na porta de sua casa, conte a verdade, insiste o delegado impaciente.
- Ué, alguém pode ter matado e jogado o corpo na porta de minha casa para incriminar-me, mas não tenho nada a ver com isso, não. Isso é armação, alguém cometeu o crime e está tentando jogar a culpa em cima de mim, pois tocaram a campainha e quando abri, encontrei o corpo.
- Que horas que apertaram a campainha?
- Eram 5:15 da manhã.
- Quanto tempo o senhor mora nesta casa?
- Faz dois anos.
- Conhece a vizinhança?
- Não senhor, ainda não deu tempo para fazer amizades, mas sempre que vejo um vizinho cumprimento-o.
- Qual é seu serviço?
- Sou aposentado e cato material reciclado pelas ruas.
De repente, o soldado grita lá no fundo:
- Delegado, há marcas de sangue na camisa, e tem muita bagunça espalhada pelos cômodos, roupas sujas jogadas no canto, há várias fitas de filme, DVDs jogados e um quarto cheio de sujeiras, parece material reciclável, venha até aqui examinar.
 - Nossa! Que bagunça! Que nojeira! O senhor está preso, até as conclusões do caso. Então, é melhorar ir contando a verdade do que aconteceu. E esta camisa toda cheia de sangue?
- Sou inocente, Senhor, não matei ninguém, eu cortei o dedo com a faca fazendo minha comida ontem à noite.
- O Senhor será preso se não começar a contar realmente o que aconteceu, diz o delegado com prepotência.  
- E  quem é o senhor para me prender? - retruquei.
- Sou uma autoridade policial.
- Pode ser, mas não tem o direito de ficar me acusando o tempo todo, humilhando-me como se fosse o culpado. Afinal, não matei ninguém e nem fui pego em flagrante.
- Você está preso por desobediência à autoridade, por ser mentiroso.
- Respeite-me, senhor delegado, olha que sou muito mais velho do que senhor.
Neste momento o telefone celular do delegado toca:
- Alô, delegado Malaquias.
- Senhor, há novidades do crime que está investigando, temos uma testemunha que precisa ser ouvida, ela diz que sabe quem matou o rapaz e presenciou a cena do crime.
- Está bem, irei até aí imediatamente.
- Soldados, apreendem  a camisa com manchas de sangue e outros materiais suspeitos, eles precisam  passar pela perícia.
Fui algemado e quando sai lá fora, vi uma grande multidão de pessoas curiosas que aguardavam a minha  saída. Até escutei um grito forte dizendo:
- Velho assassino!Velho assassino! Prenda-o! Mate-o!
Na delegacia fiquei aguardando e esperando até ser ouvido novamente pelo delegado.
Depois, de ter ouvido a testemunha, o delegado ficou sabendo que o homem que foi morto estava envolvido com drogas e gangues, ele era muito conhecido na vizinhança, devido a vários roubos que cometera, porém nunca tinha sido preso, os vizinhos tinham muito medo de denunciá-lo, porque julgava vingança de matar a  todos de quem mexesse com ele. 
O delegado ordenou aos soldados que me soltasse e na última conversa que tive com ele, pude perceber o ar de pouco caso, ele nem olhou em meus olhos, nem pediu desculpa pelo erro cometido, me analisou com a cabeça baixa e um ar de pouco caso e desprezo.
Saí da cadeia cabisbaixo e desfalecido, não conseguia andar, parecia que minhas pernas não tinham mais forças para se movimentar.Caminhei  muito pensativo para casa, de como somos analisados e julgados por pessoas que não nos conhecem, como este mundo é  injusto e desumano, principalmente com os mais pobres e velhos. Hoje, fui tratado como um bandido, um criminoso, um lixo, afinal sou mais um catador de lixo, mas mereço respeito. Sou um cidadão honesto, eu sei ler e escrever e pago as minhas contas,no entanto,   a justiça divina não falhou e estou livre novamente.

Colaboração e Autoria: Ilda Lucia Alves Ferreira Matsui

O Inquérito


Significado de Interrogatório
adj (lat interrogatoriu) V interrogativo. sm 1 Ato de interrogar. 2 Conjunto de perguntas que o magistrado dirige ao réu e as respostas deste. 3 Auto dessas perguntas e respostas.
Sinônimos de Interrogatório
Sinônimo de interrogatório: inquérito, questionário e sindicância

Acesso em 22/04/2012 às 18h40

Colaboração: Elenise Rocha Lopes